domingo, 8 de abril de 2007

A Massai Branca

Saiu há alguns dias pela editora Ediouro/Geração o romance “A Massai Branca” (Die weiße Massai), que traduzi do alemão para o português. A experiência foi interessante, interessante também tentar entender a cabeça de quem publica, quase que eu teria de assumir em meu nome um título ridículo, algo como “Tão perto, tão longe”, para fazer jus ao gosto do brasileiro, acostumado com pouca leitura e muita novelas da Globo. Eu sempre achava curioso como que filmes com um título simples no original pudessem ser tão desvirtuados em português, algo que quase beira a comédia. Agora entendo como isto ocorre, pois aconteceu algo semelhante na hora da definição do título deste romance da suíça Corinne Hofmann. Ainda bem que o bom senso prevaleceu. Mesmo assim tiveram de tascar um subtítulo, não agüentaram (sinto muito, mas não posso assumir a responsabilidade...), o sentimentalismo do brasileiro teve de ser explorado, vejam que romântico: “A Massai Branca. Meu caso de amor com um guerreiro africano” (ISBN 9788560302024). Muito melhor, não? Soa mais “bonitinho”. Se alguém tiver interesse em ler e me dar um retorno mais tarde, eu muito agradeceria. Aqui as notas de tradução que escrevi para o romance:

Breves notas do tradutor
Vários termos usados nesta história baseada em fatos, típicos do ambiente onde ela se desenrola, parecem estranhos à primeira vista, tanto que não é possível encontrá-los em dicionários e enciclopédias de língua portuguesa. Todavia eles são automaticamente clarificados ao longo da narrativa através do contexto, como é o caso da própria palavra “massai” e de outras, tais como “moran” (guerreiro), “matatu” (perua, van, táxi coletivo) e “maniata”. No caso de “maniata”, por exemplo, haveria equivalentes em português, porém todos imprecisos para descrever este tipo de moradia massai singular, tanto que optei pela incorporação do termo original, assim como a própria autora já o fizera no alemão. “Massai” ainda não é um termo consagrado em português, mesmo em inglês, uma das línguas usada no Quênia, há variações: maasai ou masai. Em alemão e em português é necessário usar o “ss” para não alterar a pronúncia do termo. Mas também poder-se-ia cogitar o uso de “ç”, assim como já acontece em “Mombaça” (“Mombasa” em inglês). Como há uma localidade no Rio de Janeiro denominada “Maçai” e o nome de Maceió deve sua origem ao “maçai” do tupi (“maçayó” ou “maçai-ok”, “aquilo que tapa/cobre o alagadiço/o mangue”), preferi “massai”, a fim de fazer a diferenciação.
Também por fidelidade ao uso e estilo da autora, usei alternadamente “chá” e “chai”, sempre que foram usados, respectivamente, os termos “Tee” e “Chai” no original em alemão. O mesmo ocorre em alguns diálogos simples, importantes para a ambientação, usados em inglês no meio da narrativa em alemão. Inclusive há erros propositais neles, mostrando o parco conhecimento inicial do idioma, tanto por parte de Corinne quanto de Lketinga. Uma tradução destes fragmentos em inglês faria com que vários elementos extratextuais constantes na narrativa fossem perdidos. A alternância entre o uso de linguagem mais formal em alguns trechos do original e de linguagem informal em outros foi igualmente observada na tradução.
Por fim, é curioso observar que etimologicamente a palavra “Kral”, freqüentemente usada em alemão no original, também existente em inglês (“kraal”), adotada nestas línguas a partir africâner (“craal”), tenha a sua origem no português (“curral”). A presença lusa na África meridional possibilitou a incorporação do termo ao africâner. Diferentemente do português, “Kral” e “kraal” podem significar não só “curral”, mas também “vilarejo de nativos sul-africanos”. É exatamente isto que faz as línguas serem tesouros fascinantes. Boa leitura!

Barbados, Índias Ocidentais, agosto de 2006.
Marco Aurelio Schaumloeffel

5 comentários:

Anônimo disse...

Caro Marco,

estava eu no aeroporto em SP (caos absoluto), quando entro na LaSelva e veho o livro A Massai Branca. Lembrei na hora que este era o livro que tu estava traduzindo para o português. Cara, foi muito legal abrir o livro e ver o teu nome lá. Imagina os teus colegas do Cônego Scherer falando no assunto na festa do salão da igreja ou nas longas tardes de banho na cachoeira.
Valeu!!

Ana Luiza disse...

Depois de ouvir a incrivel história de corinne, tive de ler este livro. Obrigada pela sua bela traduçao ao portugues. Voce com certeza fez um excelente trabalho porque o livro é de uma fluidez deliciosa. Devorei-o em um dia!
Parabens!

fernanda porfilio gilioli disse...

Adorei a leitura, e vai rolar a tradução dos outros 2 livros?

Marco A. Schaumloeffel disse...

Olá Fernanda,
eu estou à disposição para fazer a tradução dos outros livros, mas tudo depende da editora. Envie sua sugestão através do endereço
http://www.geracaobooks.com.br/contato/
Um abraço,
Marco
P.S.: respondo através do blog, pois não recebi nenhum endereço de e-mail seu para contato direto.

Anônimo disse...

Your blog keeps getting better and better! Your older articles are not as good as newer ones you have a lot more creativity and originality now keep it up!